Apesar da extensa malha rodoviária — mais de 1,7 milhão de km, de acordo com o Anuário CNT do Transporte 2018 —, o país tem muitas vias em situações precárias. Buracos, pedras, falta de pavimentação e falhas na sinalização são alguns fatores que contribuem para as más condições das piores rotas do Brasil.

Segundo a pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), somente 12,4% das rodovias são pavimentadas. Entre as estradas analisadas, cerca de 22% do total delas têm estado de conservação de ruim a péssimo, sendo os índices preocupantes, sobretudo, no Norte e no Centro-Oeste do país.

Para quem trabalha com transporte de cargas, conhecer a realidade das regiões é ainda mais importante para se planejar e traçar os caminhos menos perigosos para os caminhoneiros. Pensando nisso, listamos, a seguir, as piores rotas do Brasil. Confira!

BR-222

A rodovia federal que vai de Fortaleza (CE) a Marabá (PA) é importante para integrar o sudeste do estado do Pará — uma região com forte presença de mineração — ao Nordeste e ao restante do país. No entanto, as condições dessa via não são as melhores.

Por exemplo, o trecho que conecta Marabá a Dom Eliseu (PA) foi considerado ruim, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2018, apresentando-se como uma das piores ligações rodoviárias avaliadas. Também há problemas no pedaço entre Belém (PA) e Guaraí (TO).

BR-226

A rodovia BR-226 faz a ligação entre Natal (RN) e Paraíso do Tocantins (TO). No entanto, o trecho que passa pelo Maranhão é considerado um dos piores do país. Há partes totalmente destruídas com o risco de “panelas” (grandes buracos) no período chuvoso.

No Maranhão, a rodovia estadual MA-006, entre Alto Parnaíba (MA) e Balsas (MA), também se destaca de forma negativa com trechos tomados por buracos, o que atrapalha a movimentação de caminhoneiros na região.

BR-174

Essa rodovia federal interliga os estados brasileiros de Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Roraima à Venezuela. A via foi criada para facilitar a troca na fronteira do Brasil com o país vizinho. É, ainda, a única ligação terrestre de Roraima com o restante do país.

Entretanto, muitos trechos no estado já não existem mais, estão sem pavimentação e/ou se encontram totalmente destruídos, afetando a segurança dos motoristas que trafegam pela região.

BR-163

Essa rodovia faz a conexão da região Sul ao Centro-Oeste e Norte do país, de Tenente Portela (RS) a Santarém (PA). Apesar de ser uma das principais estradas e essencial para o escoamento da produção paraense para o restante do Brasil, a BR-163 tem trechos não pavimentados e com buracos, sendo os maiores problemas no estado do Pará.

É possível que essa realidade mude em breve, já que as obras de pavimentação iniciaram em 2018, com serviços de manutenção sendo reforçados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes.

BR-122

Do Ceará à Minas Gerais, essa rodovia federal também é relevante para a movimentação de cargas no Nordeste e Sudeste do país.

Contudo, alguns trechos estão sem pavimentação. Parte da rodovia no estado da Bahia está destruída. A presença de buracos, afundamentos e ondulações leva a uma degradação da superfície. Assim, os caminhões precisam trafegar com a velocidade reduzida e têm mais desgaste, exigindo mais manutenção da frota.

BR-262

Ligação entre os estados do Sudeste e Centro-Oeste brasileiro, especialmente Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, a BR-262 é uma das dez maiores estradas do país, com mais de 2 mil km de extensão. Ainda assim, a rodovia encontra problemas.

Por exemplo, o trecho entre Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES), apesar de ter pavimentação e sinalização boas, tem uma geometria da via ruim — ou seja, existem problemas causados pela construção inadequada da rodovia. Assim, há risco de acidentes e prejuízo na capacidade de tráfego da estrada.

BR-158

Ainda que não atravesse nenhuma capital brasileira, a BR-158 conecta o país de Norte a Sul. Ela vai de Redenção (PA) até Santana do Livramento (RS), passando pelo Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Como termina em um município próximo à fronteira do Brasil com o Uruguai, também é relevante para o comércio com outros países sul-americanos. Contudo, algumas partes da rodovia nunca foram construídas e, para piorar, o estado geral do trecho entre Jataí (GO) e Piranhas (GO) é considerado ruim, sendo um dos piores avaliados pela pesquisa da CNT.

BR-422

Entre as rodovias federais, a BR-422 é considerada em pior estado. A via que conecta cidades no Pará, como Tucuruí, Cametá e Limoeiro do Ajuru, não tem pavimentação em quase toda sua extensão, além de sofrer com a falta de sinalização adequada.

Ligação Tocantins-Bahia

A pior ligação rodoviária no ranking da CNT foi o trecho entre Natividade (TO) e Barreiras (BA). A extensão formada pelas rodovias estaduais BA-460, TO-040 e TO-280 e pela via federal BR-242 é considera em péssimas condições. Desse modo, se possível, é válido evitar essa estrada para não sofrer prejuízos e, até mesmo, correr o risco de ficar com o caminhão parado.

Além dessas, outras rodovias também são ruins para o transporte de cargas. Não há apenas um motivo para os problemas nessas rotas. Por exemplo, a construção de muitas vias não levou em conta as características climáticas das regiões e a quantidade de veículos que circulariam.

O crescimento da população brasileira, o avanço da produção agrícola e industrial e o aumento da frota de veículos e do transporte de carga têm exigido o uso constante das estradas.

Com isso, algumas rodovias não suportam a quantidade de caminhões que trafegam nelas e apresentam condições deploráveis, especialmente pela falta de manutenção e pavimentação adequadas. Problemas na geometria da via — por exemplo, falta de faixas adicionais e de acostamento — e na sinalização, como dificuldades de legibilidade e visibilidade, também são alguns dos desafios do transporte de cargas no país, especialmente pelo risco da ocorrência de acidentes.

Por fim, vale lembrar que rodar em estradas ruins tem um custo elevado para os transportadores: pneus rasgados, desgaste de peças, aumento do gasto de combustível e atrasos na entrega. No entanto, além de evitarem as piores rotas do Brasil, os profissionais que trabalham com o transporte de cargas também precisam encontrar mecanismos para reduzir a possibilidade de roubo dos caminhões — outro problema que afeta a segurança dos caminhoneiros e traz prejuízos para as empresas.

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