As empresas do setor logístico atuam com uma ampla gama de cargas, desde insumos agrícolas até produtos químicos. Da mesma forma, quando uma mercadoria é considerada uma carga perigosa é fundamental destacar a ampla variedade.

Desde cilindros de oxigênio utilizados na área hospitalar até nosso gás de cozinha, cada um deles têm o próprio grau de risco. Com isso, surgem também as leis que regem sua produção, armazenamento e, principalmente, transporte.

Se você tem interesse em conhecer como sua empresa pode adequar os processos para aumentar a segurança, nós temos as informações de que você precisa. Continue lendo este artigo e conheça mais detalhes!

Qual é o conceito de Carga perigosa na prática?

Em termos simples, para que uma carga seja considerada perigosa é necessário se seus componentes causem algum tipo de dano às instalações nas quais são armazenadas, aos trabalhadores, ao meio ambiente ou sociedade como um todo.

Para isso, é preciso que o material seja poluente, inflamável, corrosivo e, até mesmo, radioativo. A classificação correta é extremamente importante, pois um material pode não ser explosivo, mas extremamente prejudicial à saúde caso seja inalado ou entre em contato com a pele.

Já outros produtos podem gerar reações adversas quando entram em contato com a água, o que é um dado crítico em caso de incêndios que podem assumir proporções ainda maiores ao serem combatidos com água.

Por esse motivo, o transporte desse tipo de carga requer fiscalização intensa para aumentar a segurança e identificar as empresas que praticam algum tipo de irregularidade.

Tal rigidez é decorrente de padrões e normas técnicas que determinam as condições em que cada tipo de mercadoria deve ser transportada e fornecem orientações para lidar com emergências.

Como funciona a classificação de produtos perigosos?

O cuidado com a classificação desse tipo de carga não fica restrito somente ao transportador. Todos os elos da cadeia de suprimentos devem implementar cuidados semelhantes para que o produto permaneça em segurança até sua chegada ao destinatário.

O primeiro passo para conhecer mais sobre cargas perigosas é aprender sobre sua classificação. O padrão que adotamos hoje tem origem no Código ONU, que recebeu esse nome, pois criado pela Organização das Nações Unidas, no ano de 1957. Atualmente, existem 9 classes descritas a seguir:

  • Classe 1: Explosivos;
  • Classe 2: Gases;
  • Classe 3: Líquidos Inflamáveis;
  • Classe 4: Sólidos Inflamáveis;
  • Classe 5: Substâncias Oxidantes e Peróxidos Orgânicos;
  • Classe 6: Substâncias Tóxicas e Substâncias Infectantes;
  • Classe 7: Material radioativo;
  • Classe 8: Substâncias corrosivas; e
  • Classe 9: Substâncias e Artigos Perigosos Diversos.

Como funciona a identificação dos produtos perigosos?

Você já deve ter reparado que os caminhões-tanque, por exemplo, aqueles que transportam combustíveis, têm uma sinalização específica nas laterais e na traseira. Essas placas indicam informações muitos importantes sobre a natureza do material e riscos.

Por isso, a lei exige que os veículos utilizados nesse tipo de transporte sejam dotados de:

  • painéis de segurança: essa é uma sinalização na cor laranja com uma borda preta que indica o número de risco na parte superior e número ONU na parte inferior; e
  • rótulos de risco: é um losango que pode ser encontrado em cores e padrões distintos para indicar o símbolo de risco e a classe de risco.

O número de risco é um código de dois ou três dígitos que pode ser antecedido da letra ‘X’ quando se tratar de uma substância que reage perigosamente com água. O primeiro algarismo, que varia de 2 até 9, representa a natureza e a intensidade do risco em caso de acidentes.

Essa combinação ajuda identificar riscos principais e secundários. Por exemplo, a classe 2 indica que a carga é um gás. Porém, esse mesmo gás pode ser inflamável (código 23), tóxico (código 26) ou os dois simultaneamente (código 263).

Quais são as regras para transporte de carga perigosa?

É fundamental que as empresas conheçam as regras que regem a movimentação de cargas perigosas.

A mercadoria deve ser acompanhada da ficha de emergência

A obrigatoriedade da ficha de emergência foi instituída pela NBR 7503 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Essa é mais uma medida que as transportadoras devem adotar para proteger o patrimônio socioambiental quando atuam com a movimentação de cargas consideradas perigosas.

Essa instrução determina que o expedidor deve emitir e enviar juntamente com a carga a documentação referente ao material. A ficha de emergência é um documento completo que consta os dados do expedidor, uma descrição detalhada do material, os EPIs recomendados.

Esse documento também descreve quais são os principais riscos e quais ações devem ser implementadas em caso de acidentes, vazamentos e outras emergências.

A documentação deve ser mantida no envelope para o transporte

Já o envelope para o transporte contém a ficha de emergência, laudos técnicos e documentos fiscais. Para que seja possível comunicar as autoridades em caso de eventualidades também estão anotados os contatos dos órgãos de proteção ao meio ambiente, da defesa civil e da Polícia Rodoviária Federal.

O layout criado pela ABNT é bastante rígido e deve ser adotado para a padronização das informações, tanto para consulta como para fiscalização.

O motorista deve ser certificado no curso MOPP

O curso de Movimentação de Operação de Produtos Perigosos é uma exigência para os condutores que desejam atuar com esse tipo de mercadoria. Esse curso garante que o motorista recebeu um treinamento especializado para transportar produtos que representam inúmeros riscos.

Assim, o condutor está ciente das suas responsabilidades e dos cuidados necessários para garantir a segurança da carga durante o trajeto. Essas aulas ajudam a expandir o conhecimento sobre direção defensiva, meio ambiente e legislação de transporte de mercadorias perigosas.

Esse documento essencial é verificado em caso de fiscalização nas estradas. Para evitar infração, o certificado deve estar vigente, já que a renovação acontece a cada 5 anos.

Por fim, é importante destacar que os riscos dessa operação não se restringem somente ao comportamento do condutor ao volante. Fatores como a condição das estradas, o estado de conservação da frota e a falta de planejamento da rota também podem causar incidentes graves.

Isso quer dizer que a segurança de cargas perigosas deve ser prioridade para gestores de transportadoras que buscam oferecer serviços cada vez mais qualificados e competitivos.

Se você tem interesse em saber mais sobre o assunto, confira este post e fique por dentro das normas de transporte de cargas explosivas.