As cargas mais roubadas são as de maior aceitação no mercado: eletroeletrônicos, cigarros, produtos farmacêuticos, têxteis, autopeças e combustíveis. O volume é contabilizado por várias entidades para alertar a sociedade sobre esse gargalo que mais onera o transporte rodoviário de cargas no país.

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC é uma dessas entidades, e divulga anualmente essa estatística, baseada nas informações colhidas junto aos agentes do setor. O artigo a seguir é baseado nesse relatório, contém as estatísticas de 2018 e outras informações pertinentes para aqueles que buscam mais segurança nas estradas do Brasil. Confira!

Um panorama sobre o roubo de cargas no Brasil

Em 2018, foram registradas 22.183 ocorrências de roubos de carga pelo país. Apesar da queda de 15% em relação a 2017 (25.970 casos), os prejuízos contabilizaram R$1,47 bilhão.

A atividade ilícita se tornou um negócio especializado, com quadrilhas que atuam em todo território nacional e abrangem desde facções criminosas e traficantes, até empresários e os próprios motoristas.

Com uma malha viária gigantesca, que concentra 61% do escoamento da produção do país, a segurança das rodovias do Brasil é dificultada principalmente pela facilidade de venda dos produtos roubados e a falta de fiscalização e investimentos para melhorar suas condições físicas: muitos criminosos enxergam oportunidades quando o motorista não consegue atingir uma velocidade de tráfego que iniba qualquer tipo de ação (66% dos casos).

Além disso, as abordagens acontecem em paradas de descanso (15%) e no período noturno, horário em que as ações policiais se tornam menos efetivas. Entretanto, a maioria dos assaltos ocorre em áreas urbanas (78%).

Estados com o maior índice de roubo

A região Sudeste é a mais afetada (84,79%): Rio de Janeiro (41,39%) e São Paulo (39,39%) são os estados que lideram as ocorrências. Em seguida, vem a região Nordeste (6,43%), Sul (5,69%), Centro-oeste (2,34%) e Norte (0,75%).

Em valores, o prejuízo da região Sudeste é de R$ 937,76 milhões, enquanto a região Norte contabiliza R$ 238,96 milhões; Sul, R$ 152,13 milhões; Centro-oeste, R$ 108,03 milhões; e Norte, R$ 36,25 milhões.

As rodovias mais perigosas são:

  • BR-116 (Paraná – São Paulo e Rio de Janeiro – São Paulo);
  • BR-101 (Rio Grande do Norte – Rio Grande do Sul);
  • BR-050 (Brasília – Santos);
  • BR-040 (Brasília – Rio de Janeiro);
  • BR-153 (Belém – Brasília);
  • BR-262 (Espírito Santo – Minas Gerais – São Paulo – Mato Grosso do Sul).

Cargas mais roubadas

Os itens que mais chamam a atenção dos criminosos são os de maior valor agregado e de fácil repasse no mercado. As categorias incluem:

  • alimentos e bebidas;
  • eletroeletrônicos;
  • cigarros;
  • farmacêuticos;
  • químicos;
  • têxteis e confecções;
  • autopeças;
  • combustíveis;
  • produtos agrícolas;
  • higiene pessoal e limpeza;

Apesar de medicamentos e vacinas serem de alta perecibilidade, 5% das ações de criminosos visam os itens desse setor. A preferência é pelas drogas indicadas para o tratamento de câncer e impotência sexual, mas, devido a maior receptividade (apesar do custo), os ladrões também roubam analgésicos, remédios para hipertensão e antigripais.

Segundo o Portal no Varejo, os produtos mais roubados por estado são:

  • São Paulo – Alimentos & Bebidas, Combustíveis e Eletrônicos;
  • Rio de Janeiro – Alimentos & Bebidas, Eletrônicos e Álcool;
  • Minas Gerais – Cigarros, Medicamentos e Eletrônicos. Especificamente no Triângulo Mineiro, há um destaque especial para as cargas de Fertilizantes;
  • Paraná – Alimentos & Bebidas e Produtos de Limpeza;
  • Rio Grande do Sul – Combustíveis;

Dicas para prevenir ações criminosas

Para minimizar o volume de ocorrências e evitar prejuízos, as empresas precisam estabelecer uma política de prevenção que contempla o uso de tecnologia, treinamento dos motoristas e planejamento.

Use tecnologia

Existem várias soluções que atuam no gerenciamento de risco: GPS (Global Positioning System), RFID (Radio Frequency Identification ou Identificação por Radiofrequência), equipamentos de telemetria e sensores que podem ser instalados nas portas do veículo e na carroceria, são alguns exemplos. As soluções além de ajudar na segurança dos motoristas e das cargas, fazem toda a diferença para a eficiência e a saúde financeira da operação.

Planeje o percurso

Além do uso de tecnologia, é necessário traçar uma estratégia que inclui o planejamento das rotas e horários que serão seguidos, inclusive para as paradas, que devem ser feitas em locais mais seguros, de preferência com vigilância 24 horas.

As paradas na pista devem ser evitadas, mesmo se na estrada houver acostamento. Para os bandidos, motoristas desacompanhados são um alvo mais fácil, logo, procure andar em comboio, de preferência, mantendo a visibilidade dos veículos durante o percurso.

Treine os motoristas

Os motoristas precisam estar preparados para atuar de forma preventiva, mas também manter a calma se algo ocorrer. Para aumentar a eficiência nas estradas e priorizar a direção segura e defensiva, certifique-se de manter todos os motoristas atualizados quanto às informações de ocorrências nas estradas.

Eles também precisam estar cientes que dar carona também cria uma vulnerabilidade desnecessária, principalmente porque a pessoa pode transmitir informações para os criminosos acerca da carga e da rota de entrega.

É preciso ainda, evitar pernoitar fora do veículo e realizar o abastecimento em postos confiáveis, de bandeira conhecida. Antes de embarcar é preciso conferir a documentação, do motorista, do veículo, mas, principalmente, da carga transportada, pois, caso o roubo aconteça, as informações repassadas pela polícia serão precisas — isso pode facilitar a recuperação dos itens.

É preciso dar preferência às viagens diurnas, mas, se o percurso for longo e exigir o transporte noturno, alguns cuidados, como não estacionar em locais com pouca iluminação e não contratar ajudantes desconhecidos, devem ser contemplados.

Faça um seguro para a carga

Nem todas as empresas fazem seguro de cargas contra roubos. Isso, porque o valor cobrado pela seguradora pode onerar consideravelmente o valor do frete e comprometer a competitividade do negócio.

Apesar disso, com o seguro é possível resguardar de forma efetiva a integridade da carga transportada, inclusive, para aumentar a confiabilidade daqueles que contratam o frete.

A incidência das ocorrências e a vulnerabilidade das cargas mais roubadas não devem reduzir a eficiência logística do país e nem comprometer os diversos setores da economia, que dependem dessa forma de escoamento para potencializar seus resultados de venda. Por isso, é importante que as empresas e o governo atuem de forma efetiva para minimizá-las, a fim de garantir a segurança necessária para a eficácia de toda a cadeia.

Compartilhe este artigo e ajude outros agentes logísticos a reduzirem esse tipo de ocorrência com as cargas que transportam pelo Brasil!